A Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, revelou na quinta-feira (29/10) que um ataque hacker sem precedentes comprometeu US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. Este incidente, que pode ser considerado o maior da história no setor de criptomoedas, impactou gravemente a confiança dos investidores e trouxe à tona a vulnerabilidade das plataformas de negociação de ativos digitais.
Segundo a empresa, cerca de metade dos ativos afetados foram congelados, mas muitos ainda estão nas mãos dos criminosos. A Binance declarou que se comprometerá a cobrir todas as perdas, uma promessa que traz alívio em meio ao caos e à incerteza que cercam o incidente.
As primeiras investigações indicam que o ataque pode ter se originado a partir do laptop de um engenheiro, cuja segurança foi comprometida, permitindo que o hacker realizasse saques não autorizados. Especialistas em segurança cibernética, incluindo a Check Point, associaram o ataque ao grupo de hackers norte-coreano TraderTraitor, também conhecido como Lazarus Group, que já esteve envolvido em ataques anteriores, como o da corretora Bybit em 2025.
A magnitude deste roubo foi ressaltada por Jayant Dave, diretor de segurança da informação da Check Point, que afirmou que as perdas tornam este evento o “maior roubo de criptomoedas da história”. A TRM Labs, outra empresa de análise, corroborou a conexão com o grupo da Coreia do Norte, alertando que este ataque representa um marco sem precedentes para a indústria de criptomoedas.
A Binance, que desde sua fundação em 2017 se tornou um dos principais nomes do mercado, afirmou estar em contato com autoridades e parceiros para rastrear e recuperar os fundos adicionais. A corretora já alocou mais de US$ 6,3 bilhões para cobrir as perdas, com US$ 5 bilhões já concentrados em ativos relacionados ao ataque.
Enquanto a Binance trabalha para normalizar suas operações, os saques estão temporariamente suspensos, e a empresa espera retomar a normalidade em até 45 horas. A Chainalysis, por sua vez, alertou outras corretoras sobre a necessidade de vigilância constante, dado que essas plataformas se tornaram alvos recorrentes para hackers, que buscam lucrar com a volatilidade e o alto valor dos ativos digitais.
Embora a Binance tenha assegurado que a plataforma voltará a funcionar normalmente, o impacto deste ataque se estende além de sua infraestrutura. O Bitcoin, por exemplo, sofreu uma queda de mais de 4% após os rumores sobre o ataque, refletindo a apreensão do mercado diante de eventos de segurança que ameaçam a estabilidade do setor.
Por fim, a Binance não se manifestou diretamente sobre as ligações com a Coreia do Norte, mas reafirmou seu compromisso em colaborar com as autoridades para identificar e responsabilizar os envolvidos. Enquanto isso, a Binance.US, uma plataforma menor voltada para usuários americanos, afirmou que não foi afetada pelo incidente, oferecendo uma esperança de que pelo menos uma parte da operação permaneça intacta em meio a esta crise. O futuro da Binance e, por extensão, do mercado de criptomoedas, dependerá de como a corretora lidará com as consequências desse ataque devastador.
Crédito da imagem: Hackers roubam US$ 6 bilhões em criptomoedas




