sábado, 31/10/2026

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A influência da IA nas campanhas eleitorais nos EUA e o impacto de US$ 137 milhões em estratégias de comunicação

Com as eleições de meio de mandato se aproximando nos Estados Unidos, um novo fenômeno tem chamado a atenção: o uso crescente da inteligência artificial na propaganda eleitoral, que por sua vez levanta sérias…

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Com as eleições de meio de mandato se aproximando nos Estados Unidos, um novo fenômeno tem chamado a atenção: o uso crescente da inteligência artificial na propaganda eleitoral, que por sua vez levanta sérias questões sobre a veracidade das informações disseminadas. Marcadas para 3 de novembro, essas eleições estão sendo marcadas por uma prática controversa, apelidada de “slopaganda”, que combina propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por IA.

Embora tanto republicanos quanto democratas tenham adotado essa abordagem, um estudo revela que a maior parte do investimento está concentrada em candidatos e grupos associados ao Partido Republicano, especialmente aqueles alinhados ao ex-presidente Donald Trump. Um exemplo alarmante disso é um anúncio do candidato democrata ao Senado em Michigan, Abdul El-Sayed, que exibe imagens perturbadoras e um discurso que sugere uma ameaça à segurança nacional.

Produzido por uma organização vinculada ao senador republicano Ted Cruz, o anúncio em questão utiliza imagens geradas por inteligência artificial, uma prática que, segundo especialistas, é cada vez mais comum, mas raramente divulgada. De acordo com o Wesleyan Media Project, apenas 27% dos anúncios identificados informaram que foram criados com o auxílio de IA, dificultando a avaliação crítica dos eleitores sobre o conteúdo que recebem.

Os gastos com esses anúncios dispararam, alcançando mais de US$ 137 milhões em comparação aos meros US$ 50 mil gastos em 2024. Isso não apenas mostra uma mudança significativa na estratégia de campanha, mas também levanta preocupações sobre a falta de regulamentação federal que exija a transparência no uso de tecnologias emergentes nas campanhas. Enquanto alguns estados tentam implementar restrições, a maioria dos anúncios ainda circula sem qualquer aviso sobre o uso de IA.

O senador Jon Ossoff, um democrata da Geórgia, expressou sua preocupação sobre essa tendência, caracterizando-a como um “caminho perigoso rumo à destruição da verdade no debate político.” Sua crítica foi direcionada a um anúncio que insinuava que ele estava “maquiando” seu relatório de prestação de contas, o que gerou um clamor por maior responsabilidade nas campanhas eleitorais.

A rejeição à utilização de IA nas campanhas também é evidente entre o público, com 73% dos entrevistados em uma pesquisa da Fundação AAPC considerando essa prática “inaceitável”. Contudo, especialistas advertem que, apesar do aumento no número de anúncios gerados por IA, isso não garante que eles consigam influenciar os resultados das eleições. Em vez disso, a “slopaganda” pode ser mais eficaz na mobilização de eleitores e arrecadação de fundos do que na eleição de candidatos, especialmente em um ambiente saturado de informações geradas por máquina.