Uma operação conjunta entre o Google e diversas empresas de tecnologia resultou no desmantelamento de uma rede que controlava mais de 1,3 milhão de dispositivos sem o conhecimento de seus proprietários. O programa malicioso, denominado XCPE, estava instalado de fábrica, afetando principalmente TV boxes com sistema Android. O Brasil se destacou como o segundo país mais atingido, apenas atrás da Malásia, conforme dados da Trend Micro, uma respeitada empresa de cibersegurança.
Os pesquisadores descobriram que a fabricante chinesa Videostrong, com sede em Shenzhen, foi a responsável por instalar intencionalmente o software malicioso em seus produtos. A empresa lucrava ao vender acesso a esses aparelhos comprometidos a cibercriminosos, que os utilizavam para simular visualizações de anúncios, gerando receitas fraudulentas.
Embora as TV boxes tenham sido os dispositivos mais comumente infectados, o Google também localizou o malware em equipamentos de telemedicina, máquinas de karaokê e sistemas de sinalização digital, revelando a extensão do problema. A operadora de telecomunicações Anatel destacou a gravidade da situação, alertando que o uso de produtos não homologados representa um risco não só para os consumidores, mas também para a infraestrutura cibernética do país.
De acordo com o Google, a Videostrong conseguia burlar os testes de segurança que os fabricantes precisam passar para oferecer serviços como o Android TV. A empresa utilizou técnicas sofisticadas para ocultar o malware, permitindo que ele fosse ativado logo após o primeiro uso do aparelho. Essa prática era adotada desde o final de 2024, conforme informações da gigante da tecnologia.
Em resposta ao escândalo, o Google cortou laços com a Videostrong, impedindo-a de fabricar ou vender dispositivos Android certificados, além de modificar seus processos de revisão para garantir maior segurança aos consumidores. A Anatel, por sua vez, enfatizou a necessidade de vigilância e colaboração entre instituições para proteger a integridade das telecomunicações.
A operação envolveu a Agência Nacional de Polícia do Japão e diversas empresas de segurança cibernética, enquanto o g1 busca contato com a Videostrong para obter mais esclarecimentos sobre o caso.
Crédito da imagem: Reprodução/Google




