Uma onda preocupante de ciberataques está atingindo redes de supermercados na Europa, com incidentes recentes sugerindo que as vulnerabilidades em sistemas de refrigeração estão sendo exploradas por hackers. Na Bélgica e em Luxemburgo, as operações da Ahold Delhaize sofreram interrupções, assim como unidades da Spar e Carrefour, enquanto na Suécia, redes como ICA e Coop também enfrentaram problemas semelhantes.
A Delhaize, por exemplo, registrou um aumento de temperatura em seus equipamentos de refrigeração. O CEO da Sabcobel, empresa responsável por esses sistemas, confirmou que o aumento foi resultado de um ataque cibernético que acionou os evaporadores no modo de degelo, elevando perigosamente a temperatura. Este episódio é apenas o último de uma série de ataques; em setembro, cibercriminosos já haviam assumido o controle de sistemas de refrigeração em centenas de supermercados na França, provocando incêndios e perdas significativas de alimentos.
Além do impacto imediato nos processos de refrigeração, a transformação digital dos supermercados — que agora dependem de sistemas conectados para monitoramento e controle — amplificou os riscos de segurança. Essa nova realidade tecnológica oferece aos hackers um alvo atraente, já que equipamentos antes mecânicos agora estão suscetíveis a invasões digitais.
Na Suécia, o Centro Nacional de Cibersegurança está investigando uma série de ataques a supermercados, com relatos de que sistemas de refrigeração foram manipulados para aumentar a temperatura a níveis críticos. Um exemplo alarmante ocorreu em uma unidade da ICA, onde os freezers foram comprometidos durante a madrugada, resultando em uma interrupção significativa das operações.
Enquanto as autoridades ainda não identificaram os responsáveis pelos ataques, o cenário levanta questões sobre a segurança cibernética nas infraestruturas críticas de abastecimento alimentar. Especialistas, como John Billow, do Centro Nacional de Cibersegurança da Suécia, alertam para a necessidade urgente de atualizar e proteger equipamentos conectados, a fim de evitar que novos incidentes como esses se tornem frequentes.
O impacto desses ataques não se limita apenas à perda de produtos, mas também revela uma fragilidade crescente nas cadeias de suprimento, que dependem cada vez mais da tecnologia digital. A vigilância e a segurança cibernética devem ser prioridade, pois o que está em jogo é a confiança do consumidor e a integridade do setor alimentício na Europa.




