A adolescência, por si só, sempre foi uma fase de intensas transformações e desafios. No entanto, a era digital trouxe uma nova camada de complexidade a essa etapa da vida. O uso constante de celulares reconfigurou não apenas a dinâmica entre jovens e seus pares, mas também a relação com os pais. Em uma análise recente, especialistas e jovens destacam que a convivência em um mundo hiperconectado torna a experiência de crescer ainda mais desafiadora.
Uma especialista que participou da série “Essa Tal de Adolescência” ressalta que, comparado a 50 anos atrás, ser adolescente hoje é uma tarefa muito mais árdua. A pandemia, segundo ela, teve um impacto significativo, interrompendo interações sociais cruciais em um momento em que muitos jovens estavam começando a se afirmar como indivíduos.
Em Recife, um projeto social tem buscado oferecer uma alternativa à tela. Ali, celulares são desligados para que adolescentes possam se reconectar com o mundo real e entre si. Jemerson, de 12 anos, um dos participantes, relata a mudança em sua vida: “Quando eu cheguei eu estava tímido, agora não estou mais tímido. Eu sinto um vínculo.”
A situação é diferente nas casas de muitas famílias, onde o celular se tornou um símbolo de proteção. Cilene, mãe de um adolescente, expressa seu receio em relação à segurança da comunidade e opta por manter o filho dentro de casa, onde ele passa horas imerso em seu dispositivo. Esse cenário é um reflexo de como a tecnologia se tornou um escudo contra os perigos externos.
Os adolescentes de hoje cresceram em um ambiente digital, e a pandemia apenas intensificou essa conexão. A especialista analisou que o confinamento trocou a socialização presencial pela interação mediada por telas, o que pode resultar em um isolamento emocional. “Cada jovem viveu confinado com a própria família, trocando a amizade pelo computador ou pelo celular,” explica.
Além das dinâmicas familiares, a tecnologia também inspirou a produção de um curta-metragem por estudantes do Rio de Janeiro, que retrata a dificuldade de comunicação entre mães e filhas adolescentes. As autoras destacam que a relação com os pais se torna cada vez mais distante à medida que os jovens se envolvem em suas redes sociais e universos virtuais.
A pressão pela aceitação, que sempre foi presente na adolescência, se tornou ainda mais intensa com o advento das redes sociais. Meninas, em particular, enfrentam um constante ciclo de comparação com padrões de beleza promovidos online, o que impacta diretamente sua autoestima. Especialistas alertam que o uso excessivo de filtros pode levar a transtornos de imagem e aumentar o risco de depressão.
Diante de todas essas mudanças, pais e filhos estão em um processo contínuo de adaptação. A atriz Ingrid Guimarães e sua filha Clara compartilham que, apesar das barreiras geracionais, conseguem manter um diálogo, embora reconheçam a necessidade de mais compreensão mútua. Especialistas defendem que ouvir e acolher os adolescentes deve ser uma prioridade dos adultos.
Ao lidar com um cenário repleto de telas e interações virtuais, fortalecer os laços familiares e criar espaços de comunicação se revela essencial para navegar por essa fase tão delicada da vida. Em suma, a adolescência continua a ser uma jornada complexa, agora marcada pela presença constante da tecnologia.




