As eleições presidenciais de outubro de 2026 no Brasil estão se desdobrando em um cenário inusitado: a plataforma digital Roblox se tornou um campo de batalha virtual, onde manifestações e carreatas em apoio a candidatos como Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro estão em plena atividade. Esses eventos, embora realizados em um ambiente digital, reproduzem a dinâmica de atos políticos tradicionais, mas com um toque de surrealismo, como a inclusão de artistas falecidos nas simulações.
Os apoiadores de Lula têm se mobilizado em carreatas virtuais que ecoam os elementos dos protestos físicos. Avatares vestindo vermelho, cor associada ao Partido dos Trabalhadores, circulam por ambientes digitais com cartazes e buzinaços, recriando um clima de festividade política. Uma das participantes relatou até um episódio peculiar: ao tentar se juntar a uma carreata, foi levada a um local remoto dentro do jogo, um reflexo das tensões que permeiam o debate político atual.
Por outro lado, o apoio a Flávio Bolsonaro também encontrou seu espaço nas carreatas virtuais, onde avatares em verde e amarelo se reúnem em eventos que lembram os tradicionais “bloquinhos” de Carnaval — uma estratégia que visa criar um engajamento similar ao que vemos nas ruas. O uso de referências à cultura pop, como menções a artistas que já se foram, traz um aspecto curioso e até um tanto quanto macabro a essa mobilização.
As manifestações acontecem principalmente em Brookhaven, uma cidade virtual dentro do Roblox, onde os jogadores podem interagir livremente. Apesar da popularidade dos atos, a plataforma enfrenta um dilema: suas Normas da Comunidade proíbem expressamente manifestações políticas. O Roblox alega que essa restrição é necessária para manter um ambiente respeitoso, mas a empresa não se posicionou sobre como pretende lidar com as carreatas que estão em andamento.
Diante disso, resta a dúvida sobre a legalidade dessas mobilizações. A legislação eleitoral brasileira não menciona restrições específicas para manifestações em jogos online, permitindo uma certa liberdade aos usuários. Assim, enquanto as carreatas virtuais ganham força, a interseção entre política e entretenimento digital levanta questões sobre o futuro da mobilização política em um mundo cada vez mais conectado.




