A transformação no varejo parece ser uma constante, especialmente à luz dos dados revelados pela pesquisa Radar Smollan, realizada em agosto deste ano. O estudo aponta que 76% dos consumidores já visualizaram um produto em uma loja física antes de optar pela compra online. Este fenômeno, conhecido como “showrooming”, é um reflexo de como a tecnologia alterou a maneira como os consumidores interagem com os pontos de venda.
Com o comércio varejista enfrentando um cenário desafiador — onde o fechamento de lojas e a busca por operações mais eficientes se tornaram comuns — é crucial que os varejistas entendam as mudanças nos hábitos de compra. Hoje, o consumidor não se limita a visitar as lojas; ele pesquisa preços na internet, experimenta produtos pessoalmente e, muitas vezes, finaliza a compra no ambiente digital. Essa nova dinâmica exige que os estabelecimentos físicos se reinventem para permanecer relevantes.
Os dados da Smollan também revelam que este comportamento não é unidirecional. Um impressionante 81% dos entrevistados afirmaram pesquisar na internet antes de ir a uma loja, enquanto 87% relataram que saíram com produtos diferentes dos que inicialmente pretendiam comprar. Esses números indicam que a jornada de compra é uma mescla cada vez mais intrincada entre o online e o físico, onde cada canal desempenha um papel significativo.
Entretanto, por que ainda insistir nas lojas físicas? A pesquisa revela que 46,1% dos consumidores valorizam a experiência de ver e tocar os produtos antes de comprar. Além disso, a conveniência de sair da loja com o item em mãos é um atrativo para 29,2% dos entrevistados. As preferências de compra variam conforme o produto, com 93,4% dos consumidores preferindo comprar carne em lojas físicas e 39% de preferência por eletrônicos optando por um mix de canais.
Renato Vechiatto, diretor de operações da Smollan, destaca que, embora o digital tenha mudado a forma como os consumidores se aproximam das lojas, a influência do ponto de venda permanece forte. A chave para os varejistas é otimizar a experiência de compra, oferecendo não apenas produtos disponíveis, mas também um atendimento que convença o cliente a finalizar sua compra no local.
Além disso, a pesquisa indica que o preço é um fator decisivo para 77,7% dos consumidores, seguido por promoções e disponibilidade dos produtos. O desafio é claro: as lojas precisam garantir que os itens estejam em estoque e bem apresentados, uma tarefa que se torna ainda mais crítica à medida que os consumidores se tornam mais exigentes e informados.
A integração entre canais físicos e digitais é uma necessidade premente. A falta de produtos em estoque pode levar os consumidores a desistirem das compras, e 57% dos entrevistados já abandonaram uma loja por não encontrarem o que buscavam. Portanto, a gestão eficiente de estoques e a comunicação clara sobre disponibilidade são fundamentais para evitar perdas de vendas.
À medida que as lojas se adaptam a esse novo cenário, a ideia não é eliminar os pontos de venda, mas sim redefinir seu papel na experiência de compra. O futuro do varejo parece ser um caminho de integração, onde as lojas físicas se tornam complementos valiosos ao comércio eletrônico, oferecendo experiências que o digital não consegue reproduzir com a mesma eficácia.
Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Camera-man (pixabay)




