terça-feira, 27/10/2026

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A ascensão da China no setor tecnológico: de produtos acessíveis a protagonistas globais

A ascensão das empresas chinesas no setor de tecnologia de consumo traz à tona um debate crucial sobre concorrência e segurança. A GoPro, uma vez líder indiscutível em câmeras de ação, agora luta para…

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A ascensão das empresas chinesas no setor de tecnologia de consumo traz à tona um debate crucial sobre concorrência e segurança. A GoPro, uma vez líder indiscutível em câmeras de ação, agora luta para se manter relevante no mercado, principalmente por conta da crescente influência de marcas como DJI e Insta360, que dominam mais de 90% das vendas de câmeras inteligentes portáteis.

O declínio da GoPro não é um caso isolado. Desde 2010, várias marcas chinesas têm superado suas concorrentes ocidentais em diversos segmentos, de televisores a veículos elétricos. Chris Pereira, especialista em negócios na China, destaca que a imagem de produtos “feitos na China” evoluiu. “Hoje, eles são sinônimo de qualidade”, afirma, ressaltando que mais da metade dos novos produtos de tecnologia global é originada de fornecedores chineses.

As razões para esse sucesso são diversas: a intensa concorrência no mercado interno, uma cadeia de suprimentos altamente eficiente e uma cultura empresarial que prioriza a inovação rápida. Empresas como BYD e Xpeng, por exemplo, já comercializam uma parcela significativa dos carros elétricos no mercado, desafiando gigantes como a Tesla. Enquanto isso, marcas de aspiradores robóticos, predominantemente chinesas, também conquistam espaço, a despeito das dificuldades enfrentadas pela americana iRobot.

Entretanto, a ascensão chinesa no cenário global não é isenta de controvérsias. Apesar da preferência dos consumidores por produtos chineses, a desconfiança em relação à privacidade e segurança dos dados ainda é alta. Uma pesquisa recente aponta que mais de 90% dos europeus relutam em confiar seus dados a empresas de tecnologia chinesas, um reflexo das preocupações com possíveis violações de privacidade e espionagem.

Em resposta, as empresas chinesas precisam superar um “prêmio de confiança”, segundo Pereira. Isso significa que, para serem competitivas em mercados ocidentais, elas devem oferecer produtos de qualidade superior a preços acessíveis. O desafio é ainda maior diante de tarifas e restrições impostas por países ocidentais, que visam proteger suas indústrias e dados dos crescentes riscos associados à tecnologia chinesa.

À medida que a competição se intensifica, empresas ocidentais buscam estratégias para se manterem relevantes. Kaz Merchant, da indústria britânica de tecnologia, sugere que pequenas empresas precisam encontrar nichos específicos ou formar parcerias com empresas chinesas para sobreviver. Além disso, a velocidade de reação dos órgãos reguladores na Europa é um fator crucial que pode determinar o sucesso ou o fracasso de empresas locais frente à agilidade do setor na China.

Com a balança da concorrência pendendo cada vez mais para o lado chinês, o futuro das empresas ocidentais poderá depender não apenas de inovações, mas também de uma abordagem proativa em relação às regulamentações e à construção de confiança com os consumidores.