quarta-feira, 28/10/2026

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Iniciativa de jovem ajuda a localizar desaparecidos após terremoto na Venezuela; desafios ainda são incertos

Em meio à devastação causada pelos terremotos na Venezuela em junho, Jorge Bastidas, um programador venezuelano que reside na Argentina, encontrou uma forma de ação em meio à impotência. Ao receber a notícia dos…

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Em meio à devastação causada pelos terremotos na Venezuela em junho, Jorge Bastidas, um programador venezuelano que reside na Argentina, encontrou uma forma de ação em meio à impotência. Ao receber a notícia dos tremores enquanto estava em Bogotá, Bastidas não demorou a cancelar suas reuniões e a tentar entrar em contato com sua família. A dificuldade em se comunicar o levou a perceber que muitos também enfrentavam a mesma situação, gerando uma onda de pedidos de informações em canais de notícias.

Desesperado para ajudar, ele criou a plataforma “Desaparecidos Terremoto Venezuela”, um espaço onde as pessoas poderiam registrar relatos sobre seus entes queridos desaparecidos. Desde sua criação, o site recebeu mais de 82 mil registros, mas apenas 29.486 permanecem sem contato até o momento, já que o governo não disponibilizou uma lista oficial de desaparecidos. A indignação de Bastidas é palpável: “O governo tem os recursos para estimar o número de desaparecidos e não o faz”, critica.

A plataforma, desenvolvida com o auxílio de uma ferramenta de inteligência artificial, foi lançada de forma rápida, apenas quatro horas após os tremores. Bastidas enfrentou desafios não apenas técnicos, mas também a desinformação que começou a circular, incluindo brincadeiras de mau gosto que comprometeram a seriedade do projeto. Para contornar isso, ele implementou mecanismos de moderação e restrições para garantir que apenas informações relevantes fossem registradas.

A colaboração com a LAB-CO, um laboratório de inovação do México, trouxe uma nova dimensão ao projeto. Eles introduziram um sistema de reconhecimento facial que ajudou a identificar pessoas desaparecidas, uma ferramenta que já era utilizada por serviços forenses em outros países. O uso dessa tecnologia rapidamente se tornou popular entre os usuários da plataforma, permitindo que muitos buscassem por seus familiares de forma mais eficiente.

Enquanto Bastidas gerenciava a plataforma remotamente, Daneli Hernández, uma advogada também na Argentina, mobilizava contatos na Venezuela para obter informações diretas sobre as vítimas, lidando com a falta de infraestrutura nos hospitais. Juntos, eles formaram uma rede de apoio que, apesar dos desafios, conseguiu registrar mais de 3 mil pessoas que chegaram aos hospitais.

Histórias de desespero e esperança se entrelaçam na plataforma. Alceo Angelini, que registrou o desaparecimento de seu primo, encontrou alívio ao saber que seu parente havia sido localizado. No entanto, a atualização desses registros enfrenta atrasos devido à limitação da equipe responsável pela verificação.

Além dos desafios operacionais, a plataforma enfrentou ataques cibernéticos que comprometeram parte dos dados. Bastidas, determinado a não esperar pela ação do governo, planeja estabelecer uma central de atendimento para confirmar cada registro. “Ainda não sabemos a real dimensão dos danos. Vou me sentir satisfeito quando puder dizer às pessoas: ‘É isso que temos’”, conclui, ressaltando a urgência da situação e a necessidade de respostas.